Outro dia, conversando com uma mãe, ela me disse:
“Eu faço tudo pelos meus filhos. Trabalho, corro, organizo, resolvo. Mas, quando bato a porta e preciso me ausentar, me sinto culpada.”
Essa frase ficou comigo.
Porque ela não fala de ausência.
Fala de presença.
E talvez essa seja uma das maiores dores das mães de hoje: estar em muitos lugares ao mesmo tempo e, ainda assim, sentir que falta em algum.
Vivemos um tempo em que as mulheres conquistaram espaço, voz, autonomia. Trabalham, empreendem, lideram. E, ao mesmo tempo, seguem sendo o centro afetivo das famílias. São elas, na maioria das vezes, que organizam a rotina, percebem as mudanças de humor dos filhos, lembram da vacina, do lanche, do casaco.
Carregam uma espécie de “mochila invisível”, cheia de tarefas e de expectativas.
E dentro dessa mochila, vem a culpa.
Culpa por sair para trabalhar.
Culpa por não estar no momento da febre.
Culpa por não conseguir dar conta de tudo – mesmo dando tudo de si.
Ao longo de mais de três décadas trabalhando com crianças e famílias, aprendemos algo importante:
presença não é só proximidade física.
Presença é vínculo.
É a qualidade do encontro.
É o olhar atento.
É a previsibilidade que acalma.
São os pequenos gestos que dizem para a criança: “eu estou aqui, mesmo quando não estou”.
Mas isso não é intuitivo para todas nós.
E, principalmente, não é simples de sustentar em meio a agendas cheias, viagens, reuniões e responsabilidades.
É por isso que elaboramos um caminho possível para essas mães que precisam estar longe – mas não querem estar ausentes.
Um caminho que não idealiza a maternidade, mas também não abre mão do vínculo.
Que acolhe a realidade- e, ao mesmo tempo, propõe escolhas mais conscientes.
Que ajuda a transformar o “ir e voltar” em algo mais leve, para a criança, para quem cuida e para a própria mãe.
Esse é o ponto de partida de um conteúdo inédito, que vou ministrar na ESPM, ao lado da Claudia Spieker Azevedo – psicóloga, psicanalista e minha amiga há mais de 20 anos. Somos duas mães e especialistas, com mais de três décadas dedicadas à escuta atenta de mães e à convivência próxima com crianças.
O curso se chama: “Como Equilibrar a Vida Profissional, Maternidade e Cuidado”. Serão aulas online e ao vivo, nos dias 06, 07 e 08 de abril, pensadas para mulheres que trabalham, que se ausentam, que amam profundamente seus filhos e que querem viver essa experiência com mais leveza.
Vamos falar sobre culpa, vínculo, rotina, desenvolvimento infantil e, principalmente, sobre como sustentar essa travessia sem se perder de si.
Porque talvez a pergunta não seja:
“Como dar conta de tudo?”
Mas sim:
“Como estar presente, de verdade, nos momentos que importam?”
As inscrições estão abertas — e eu adoraria caminhar com você nessa reflexão. Clique aqui e inscreva-se.

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