Imagine a cena: você está em um ambiente público com o seu filho quando, de repente, começa a escutar muitos gritos. Ao olhar para o lado, você vê uma criança autista em plena crise e uma mãe tentando, com todas as suas forças, controlar a situação.
Diante desse cenário, a pergunta que fica é simples, mas carrega um peso enorme: o que você faria nessa situação?
Infelizmente, a reação mais comum da sociedade tem sido o julgamento silencioso — ou, muitas vezes, nem tão silencioso assim. Olhares de reprovação, sussurros sobre “falta de limites” ou “mimo” e o afastamento físico. No entanto, o que muitas pessoas não percebem é que aquela criança não está fazendo “birra”. Ela pode estar enfrentando uma crise de sobrecarga sensorial ou emocional, algo muito comum no Transtorno do Espectro Autista (TEA). E aquela mãe? Aquela mãe está lutando uma batalha solitária, uma realidade invisível da maternidade atípica: precisa ser enfermeira, terapeuta, advogada de direitos inclusivos e, acima de tudo, escudo contra o preconceito do mundo. E tudo isso, muitas vezes, sem o pai. Vivemos em um país em que 70% dos pais atípicos escolhem não ficar e ir embora, enquanto a mãe não “escolhe” ficar — ela é a única que fica.
A inclusão começa na nossa postura diante do outro. Quando presenciamos uma crise em um shopping, em um restaurante ou no transporte público, nossa atitude pode ser a diferença entre afundar essa mãe no desespero ou dar a ela um respiro de esperança. Às vezes, um simples olhar de compreensão, um sorriso gentil que diz “está tudo bem, eu entendo” ou até mesmo perguntar, de forma respeitosa, “posso ajudar em algo?” já transforma o ambiente.
A verdadeira inclusão não acontece quando fingimos que as diferenças não existem, mas quando as reconhecemos, as respeitamos e adaptamos o nosso mundo para que todos caibam nele. Que possamos ser a sociedade que não vira as costas quando os gritos começam. Que possamos ser a mão estendida, o abraço apertado e o olhar que diz: “Você não está sozinha. Nós vemos você e estamos com você.”
Afinal, a conta da inclusão não pode ser paga apenas pelas mães atípicas. É um dever de todos nós.

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