Por
Ana Luiza Ract
23/04/26


Abril chega trazendo luz a um tema que precisa ir muito além da conscientização. Falar sobre o transtorno do espectro autista é, antes de tudo, aprender a olhar para o que não é visível. O autismo não tem uma “cara”, não se apresenta de forma padronizada nem cabe em estereótipos.

Ainda assim, todos os dias, crianças autistas e suas famílias enfrentam olhares de julgamento. Na fila da padaria, na escola, no parque, na praia. Situações simples podem se transformar em momentos de tensão quando o comportamento da criança não é compreendido como parte de sua forma única de existir.

Por trás de cada criança, existe uma mãe, muitas vezes exausta, que luta silenciosamente para garantir direitos básicos. Direitos que deveriam ser naturais, mas que ainda precisam ser explicados, defendidos e, por vezes, implorados.

É uma rotina que exige força emocional constante. São consultas, terapias, orientações escolares, adaptações. E, no meio disso tudo, essas mulheres frequentemente se colocam em segundo plano, negligenciando o próprio cuidado em nome das necessidades do filho.

(Foto Getty Images)

A sobrecarga existe e precisa ser reconhecida. Falar de autismo também é falar de quem cuida. É entender que não se trata apenas da criança, mas de uma rede que precisa de apoio, acolhimento e escuta genuína.

A escola, por sua vez, ocupa um papel central nesse processo. Mais do que incluir, é preciso compreender. Incluir não é apenas permitir a presença, mas adaptar, flexibilizar e, sobretudo, respeitar as diferenças no ritmo e na forma de aprender.

A sociedade ainda caminha lentamente nesse sentido. Falta informação, falta empatia, falta disposição para enxergar além do comportamento. O que muitas vezes é visto como “birra” pode ser, na verdade, uma sobrecarga sensorial, uma dificuldade de comunicação, um pedido de ajuda.

Abril nos convida a refletir, mas a mudança precisa acontecer todos os dias. Conscientizar é importante, mas agir é essencial. É no cotidiano que se constrói uma sociedade mais justa e verdadeiramente inclusiva.

A maternidade, nesse contexto, é atravessada por desafios intensos, mas também por um amor que sustenta. Um amor que resiste, que insiste e que acredita. Porque, apesar de tudo, há uma força silenciosa que segue repetindo: vai dar certo.



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