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Redação Pais&Filhos
23/04/26


Quem amamenta ou faz ordenha já percebeu, na prática, que o leite materno não é sempre igual. Em alguns momentos ele parece mais ralo, em outros mais encorpado. Também é comum notar que a produção varia ao longo do dia, com maior volume pela manhã e menor à noite.

Essas diferenças não são apenas impressão. Estudos científicos vêm mostrando que o leite materno é um alimento dinâmico, que se adapta constantemente — inclusive de acordo com o horário do dia.

O que um estudo observou sobre o leite materno

Uma pesquisa publicada na revista Frontiers in Nutrition, em setembro de 2025, analisou o leite materno de 38 pessoas lactantes em quatro momentos diferentes ao longo do dia. O objetivo foi observar como alguns componentes variam ao longo de um ciclo de 24 horas.

Os pesquisadores avaliaram cinco substâncias presentes no leite: cortisol, melatonina, ocitocina, lactoferrina e imunoglobulina A (IgA). Entre elas, duas chamaram mais atenção pelos padrões bem definidos: a melatonina e o cortisol.

A melatonina, conhecida por estar relacionada ao sono, apareceu em níveis mais altos no leite coletado durante a noite. Já o cortisol, associado ao estado de alerta, teve níveis mais elevados no leite da manhã.

Esse comportamento acompanha o que já acontece naturalmente no corpo humano, já que esses hormônios também variam no sangue ao longo do dia.

Por que essas variações acontecem

As mudanças no leite materno ao longo do dia fazem parte de um funcionamento biológico esperado. O organismo segue um ritmo circadiano, ou seja, um ciclo de aproximadamente 24 horas que regula funções como sono, vigília e produção hormonal.

Segundo o estudo, o leite materno pode carregar sinais biológicos que acompanham esse ritmo. Isso inclui não só nutrientes, mas também componentes que podem estar relacionados ao desenvolvimento e à organização dos ciclos do bebê.

Pesquisas anteriores já tinham apontado essa variação circadiana, com leite da manhã mais rico em cortisol e leite do período noturno com maior concentração de melatonina.

O que isso pode significar para o bebê

Os resultados levantam uma hipótese interessante: o leite materno pode ajudar a orientar o ritmo biológico do bebê, contribuindo para o desenvolvimento dos ciclos de sono e vigília.

Além disso, o leite também contém outros elementos importantes, como fatores imunológicos e componentes ligados ao microbioma, que fazem parte do desenvolvimento do organismo.

Ainda assim, é importante ter cautela. O estudo analisou a composição do leite, mas não investigou diretamente os efeitos dessas variações no comportamento ou no sono dos bebês.

Ou seja, embora seja possível imaginar que essas diferenças tenham algum impacto, isso ainda não foi comprovado na prática.

(Foto: Freepik)

Quem faz ordenha precisa mudar a rotina?

Diante dessas informações, pode surgir uma dúvida comum: será que é necessário organizar o leite ordenhado por horário para oferecer ao bebê no momento correspondente?

Até agora, não há recomendação para isso. Especialistas destacam que ainda faltam dados para afirmar que essas variações causem mudanças relevantes no sono ou no comportamento dos bebês.

Existe a possibilidade teórica de que oferecer leite com mais melatonina durante o dia ou mais cortisol à noite possa influenciar o ritmo do bebê. No entanto, isso não foi comprovado.

Por isso, a orientação geral continua sendo a mesma: não há necessidade de mudar a rotina de ordenha ou alimentação com base nesses dados.

Rotina prática para quem faz ordenha

Para quem faz ordenha, o mais importante é manter uma rotina viável e sustentável. O processo de extrair, armazenar e oferecer leite já exige organização e energia, especialmente no pós-parto.

Se for simples de aplicar, é possível identificar o leite com etiquetas como “manhã” ou “noite” e tentar usá-lo de acordo com o horário. Mas isso é totalmente opcional.

Se essa prática gerar mais estresse ou complicação, não vale a pena. O mais importante é garantir que o bebê receba o leite materno, independentemente do horário em que ele foi coletado.

Cuidados importantes no dia a dia

Algumas orientações ajudam a tornar esse processo mais leve:

  • Evitar criar grandes estoques no freezer logo no início, focando no que o bebê precisa no momento
  • Priorizar o uso do leite fresco sempre que possível
  • Oferecer o leite refrigerado em até três ou quatro dias
  • Congelar apenas o excedente
  • Manter atenção à alimentação, hidratação e descanso

Além disso, é importante reconhecer o esforço envolvido. Ordenhar leite, especialmente fora de casa ou em ambientes de trabalho, já é um desafio significativo.

O mais importante sobre o leite materno

No fim das contas, esse tipo de estudo reforça algo essencial: o leite materno é um alimento vivo, que se adapta às necessidades do bebê ao longo do tempo.

As variações ao longo do dia fazem parte desse processo natural, mas não devem ser motivo de preocupação ou pressão.

Independentemente da forma como é oferecido — direto na amamentação, por ordenha ou de forma combinada — o leite materno continua sendo uma fonte importante de nutrição e cuidado.



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