Por
Cecilia Troiano
09/04/26


Não é novidade que telas, redes sociais e muitas ferramentas digitais trouxeram novos desafios para educarmos nossos filhos. Eu, que já tenho filhos adultos, não vivi essa realidade, mas acompanho de perto pais e mães que hoje navegam todos os dias nessa empreitada. Como se todas essas novidades digitais não fossem suficientes para tirar nosso sono, chegam os agentes de inteligência artificial. Criar filhos ganha letras maiores: hoje, crIAmos filhos, para o bem e para o mal.

Como muitos de vocês, os agentes de IA – ChatGPT, Gemini, Claude etc. – fazem parte do meu dia a dia, fazendo companhia ao Instagram, WhatsApp, Netflix e tantos outros. A rapidez com que incorporamos todos esses recursos é impressionante. Aliás, os brasileiros sempre aderem às novidades tech com uma velocidade bem superior à de outros países. Somos novidadeiros, mas isso não significa, necessariamente, um problema.

O que me assusta são os usos que pais estão fazendo dos agentes de IA, usando-os como muletas para crIAr nossos filhos. Uma história recente que ouvi ilustra bem o que quero dizer. É uma situação real: o relato de uma mãe que usava o ChatGPT para construir histórias infantis para seu filho de 3 anos. E ia além… após a história criada, pedia para que a própria IA a contasse para o filho. Ou seja, a voz não era da mãe, era do ChatGPT. Essa mãe abre mão de (quase) tudo em nome da praticidade, comodidade, facilidade e rapidez.

(Foto: Getty Images)

Mas vamos lá: quem disse que criar filhos tem que ser prático, cômodo, fácil e rápido? É exatamente, na maior parte das vezes, o oposto disso. Tempo, dedicação e esforço caminham lado a lado com muitos prazeres dessa relação. Afinal, para efetivamente construirmos vínculos e memórias, essas trocas sem intermediação entre pais e filhos são essenciais. Não podemos delegar esses momentos mais especiais com nossos filhos à IA.

Não sou retrógrada a ponto de ver a IA como inimiga. Ao contrário: ela tem muitas utilidades, para comparar lugares para as férias com as crianças, escolher um brinquedo adequado e tantas outras possibilidades. Mas a IA deveria, no caso de pais e filhos, estar limitada a tarefas mais funcionais e jamais àquilo que envolve emoção, laços e vínculos. Esses são nossos, do ser humano, sempre.

Que a IA, dentro do criar, seja apenas duas letras e que sigamos criando nossos filhos olho no olho, de forma analógica, sem intermediários.



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