Por me’Bianca Rocha 21/01/26

Uma publicação recente no subreddit r/Parenting despertou um debate interessante: os pais devem ou não exigir que os filhos comam tudo o que está servido no prato?

O autor da postagem diz que muitos adultos cresceram sob essa regra rígida de comer tudo o que está no prato, mesmo sem estar mais com fome.

De acordo com a Parents, a dúvida surge da ideia se isso ainda faz sentido na criação atual ou se uma postura mais flexível à mesa seria o ideal.

Respostas

A publicação, que já ultrapassou a marca de 650 comentários, trouxe diversas visões diferentes sobre o assunto, com relatos positivos.

Um dos comentários mais populares diz o seguinte: “Não obrigo a terminar, mas guardo o prato. Se uma hora depois dizem que estão com fome, explico que é porque não terminaram o jantar e ofereço o que sobrou.”

A fala repercutiu entre os usuários e recebeu mais de 1.400 interações. Outros participantes explicam que não forçam os filhos a comer tudo, mas deixam claro que, se a refeição não for concluída, não haverá lanche depois.

Grande parte dos comentários concordam que nenhuma criança deve ser obrigada a esvaziar o prato. Se estão satisfeitas o limite deve ser respeitado.

Mas, pelos comentários dos pais, a maior preocupação é o desperdício de comida. Há quem diga que jogar fora não é responsabilidade da criança, mas um reflexo de porções mal calculadas.

Exigir que crianças comam toda comida do prato não é o caminho ideal. Imagem: Freepik

Exigir “prato limpo” é prejudicial

A psicóloga e coach especializada na recuperação de transtornos alimentares, Lara Zibarras, diz que forçar crianças a terminar qualquer refeição não é nada bom.

Segundo ela, essa ação faz seu filho ignorar os próprios sinais de saciedade e comer além do necessário. Além disso, a especialista ressalta que que pais tendem a esquecer que o apetite varia todos os dias.

Alguns pais insistem para que os filhos comam tudo para evitar que depois rejeitem a comida preparada. Há também situações em que a criança diz estar “cheia”, quando, na verdade, prefere trocar a refeição por um lanche mais atrativo.

Segundo a Dra. Zibarras, obrigar a terminar o prato não resolve. Ela diz que hoje em dia atende adultos que lidam com distúrbios alimentares e associam essas dificuldades à obrigação constante de limpar o prato durante a infância.

Ensine e criança a reconhecer a fome e a saciedade

A especialista recomenda conversas constantes com as crianças sobre o que sentem em relação à fome e à saciedade. Essas orientações incluem:

  1. Incentivar a descrição da fome;
  2. Manter diálogos frequentes;
  3. Dar o exemplo.

O desperdício de alimentos

O desperdício de comida é uma das maiores preocupações entre os pais e para lidar com isso a Dra. Zibarras sugere algumas práticas que podem ajudar nesse desafio:

  • Servir porções menores inicialmente;
  • Permitir que a criança repita se ainda estiver com fome (em pequenas quantidades);
  • Dar à criança a chance de se servir;
  • Guardar a comida que sobrar em recipientes;
  • Caso as sobras sejam frequentes, reduza a quantidade preparada;
  • Experiente usar as sobras do almoço para o jantar.

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