Por
Dra. Ivanice Cardoso
07/04/26


Hoje é o Dia Nacional de Combate ao Bullying e à Violência na Escola. Uma data instituída há 10 anos para marcar uma memória que não deveríamos perder: o Massacre de Realengo.

Mas o fato é que estamos perdendo feio para a violência escolar e o bullying. Por que será que não estamos fazendo a nossa lição de casa?

De 2014 a 2023, a violência escolar cresceu mais de 200%. Somente entre 2024 e 2025, o bullying cresceu 4%, chegando a quase metade dos adolescentes entre 13 e 17 anos sendo identificados como alvos.

Estamos falando de milhões de adolescentes que denunciam que sua saúde mental e social não foi vista por nós, adultos, durante a infância, de forma integral e positiva.

Os números publicados pela última Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) são alarmantes. Deixam qualquer pessoa que se preocupa com as novas gerações em alerta máximo:

  • 39,8% dos estudantes de 13 a 17 anos sofreram bullying na escola;
  • No caso das meninas, o percentual sobe para 43,3%;
  • A aparência do rosto ou do cabelo foi alvo em 30,2% dos casos.

E é aqui que as violências se encontram. Em um país em que os índices de feminicídio são altíssimos, encontramos ainda na idade escolar um padrão que só se reforça na vida adulta: dos 13,7% que declararam ter praticado algum tipo de bullying ou violência escolar, 16,5% eram meninos e 10,9% eram meninas.

Esses números me fazem refletir. Não é de hoje — afinal, atuo profissionalmente como consultora de escolas no enfrentamento ao bullying há 11 anos. Mas agora, eles também me atravessam como mãe de meninas.

Temos um trabalho árduo e urgente pela frente. E esse trabalho não é apenas das escolas — ele é, principalmente, das famílias.

(Foto: Shutterstock)

As famílias estão presentes em todas as etapas do bullying. E são elas que sofrerão o maior impacto quando ele acontece.

Aqui, com propriedade de quem acompanha de perto essa realidade, posso afirmar: o impacto emocional e financeiro é enorme. Desde lidar com a dor de ver alguém que amamos sofrer até enfrentar honorários advocatícios elevados para tentar reduzir danos. E não importa se é a família de quem sofre, de quem pratica ou de quem testemunha: todos são afetados.

Por onde começar? O primeiro passo é formar uma geração que compreenda limites e respeito. Esse é um papel essencial da família.

O segundo passo é exigir e apoiar as escolas para que cumpram o seu papel.

Desde 2024, a Lei 14.811 exige que as escolas tenham um Protocolo de Prevenção e Intervenção ao Bullying Escolar. Você saberá se a instituição está cumprindo a lei — e protegendo seu filho — ao solicitar uma política escrita, clara e acessível sobre como o bullying é tratado, com todos os procedimentos detalhados.

Você já conferiu se a escola do seu filho está em dia com essa obrigação?

Enfrentar o bullying é dever de todos nós. Se cada um fizer a sua parte, não teremos do que nos arrepender.



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