O mundo vive uma mudança histórica na saúde infantil: pela primeira vez, o número de crianças obesas ultrapassou o de desnutridas.

Segundo o novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), divulgado pela Agência Brasil, uma em cada cinco crianças e adolescentes no mundo está acima do peso, o equivalente a cerca de 391 milhões de jovens.

Desses, aproximadamente 188 milhões já enfrentam a obesidade.

O estudo intitulado “Alimentando o Lucro: como os Ambientes Alimentares Estão Falhando com as Crianças” revela que, desde 2015, a obesidade passou a afetar 9,4% das pessoas entre 5 e 19 anos, enquanto a desnutrição atinge cerca de 9,2% desse grupo.

Crianças obesas x desnutridas

A pesquisa, feita com dados de mais de 190 países, mostra uma queda na desnutrição entre 5 e 19 anos — de 13% em 2000 para 9,2% em 2025 — enquanto as taxas de obesidade subiram de 3% para 9,4% no mesmo período.

Apenas a África Subsaariana e o Sul da Ásia ainda registram mais casos de desnutrição do que de obesidade.

O relatório aponta um culpado em comum: os alimentos ultraprocessados. Isso porque eles vêm substituindo a alimentação tradicional, especialmente em países onde são mais baratos, divulgados e amplamente acessíveis. Nas Ilhas do Pacífico, por exemplo, mais de 30% das crianças e adolescentes já convivem com obesidade.

O cenário brasileiro

No Brasil, o cenário não é novo. Desde o início dos anos 2000, o país observa uma virada preocupante. Naquele ano, 5% das crianças e adolescentes eram obesos, contra 4% desnutridos. Em 2022, o índice de obesidade triplicou, chegando a 15%, enquanto a desnutrição caiu para 3%.

Além disso, o sobrepeso dobrou, afetando 36% dos jovens.

Mas, apesar dos desafios, o Brasil aparece entre os exemplos positivos no relatório. O país tem avançado com políticas públicas como:

  • Restrições à venda de ultraprocessados nas escolas públicas (PNAE);
  • Proibição de publicidade infantil de alimentos não saudáveis;
  • Rotulagem frontal que indica altos níveis de açúcar, sódio e gordura;
  • Proibição de gorduras trans na indústria alimentícia.

Essas medidas são apontadas pelo Unicef como passos importantes para reverter a obesidade infantil e proteger o futuro das novas gerações.

Impactos na saúde e na economia

Por fim, a tendência também é alarmante em países ricos: 21% das crianças nos EUA e Emirados Árabes são obesas.

“A obesidade é uma preocupação crescente que pode impactar o desenvolvimento e a saúde das crianças. Frutas, vegetais e proteínas estão sendo trocados por ultraprocessados justamente quando a nutrição é mais importante”, alerta Catherine Russell, diretora executiva do Unicef.

Segundo a entidade, a questão não se resume apenas a escolhas individuais, mas sim a ambientes alimentares desfavoráveis, onde fast foods e produtos industrializados dominam as prateleiras, as cantinas escolares e o marketing digital voltado ao público jovem.

O excesso de peso na infância aumenta o risco de doenças crônicas como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e até câncer.

Além dos danos à saúde, o Unicef alerta para impactos econômicos significativos. Caso os países não adotem políticas de prevenção, o custo global com sobrepeso e obesidade infantil pode ultrapassar US$ 4 trilhões por ano até 2035.

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