A perda auditiva na infância nem sempre é óbvia. A família pode ter dificuldade em perceber, pois a criança pode não saber sequer se queixar do problema. Além disso, em alguns casos, ela parece ouvir normalmente os sons, o que faz com que essa alteração passe despercebida.
Muitos acreditam que a perda de audição significa não ouvir absolutamente nada. Porém, ela pode comprometer várias frequências dos sons ou apenas uma. Pode ser de grau leve a profundo e afetar uma orelha ou ambas. Por exemplo, a criança pode ouvir sons agudos de uma conversa, mas perder sons graves (ou vice-versa), gerando respostas inconsistentes que parecem desatenção ou preguiça de aprender. É como um piano com teclas faltando: o som fica impreciso.
Mesmo perdas auditivas mínimas podem levar a prejuízos no desenvolvimento da comunicação verbal e na aprendizagem da criança. Fatores genéticos, infecções (otites), complicações no parto (prematuridade ou falta de oxigênio), infecções congênitas (rubéola, citomegalovírus), meningite, exposição a ruído e uso de medicamentos tóxicos para o ouvido são algumas das causas de deficiência auditiva.
Ainda que seu filho, neto ou sobrinho tenha passado no teste da orelhinha ao nascimento, é muito importante continuar acompanhando a audição, pois existem perdas que podem surgir mais tarde. A perda auditiva pode ocorrer em diferentes partes do sistema auditivo, que é dividido em orelha externa (capta o som), orelha média (amplifica) e orelha interna (converte o som em sinais nervosos). Diante disso, existem três tipos de perda auditiva: condutiva, neurossensorial ou mista.
Existem alguns sinais de perda auditiva na criança, como não atender quando é chamada, aumentar muito o volume da TV ou do tablet, precisar fazer leitura labial para entender melhor, pedir para repetir o que foi dito, ter dificuldade para localizar de onde vem o som, parecer desatenta — principalmente em ambientes ruidosos —, trocar sons na fala, apresentar atraso de fala e/ou linguagem, timidez, agitação e até baixa autoestima.
Outra queixa comum relatada pelos pais no consultório é que a criança chega da escola cansada e desmotivada. Isso acontece porque o esforço para escutar em ambientes barulhentos faz o cérebro entrar em fadiga cognitiva, levando a uma sensação de exaustão no final do dia.

No caso dos bebês que ainda não falam, também é possível observar sinais ao acompanhar os marcos do desenvolvimento auditivo:
0 aos 4 meses: diante de sons intensos, a criança deve despertar do sono, acelerar ou interromper a mamada, apresentar susto e piscadas dos olhos. Também reage a sons familiares, como vozes dos pais e sons do cotidiano.
4 aos 7 meses: localiza sons lateralmente e reconhece a voz da mãe.
7 aos 9 meses: demonstra reações de agrado ou desagrado aos sons que ouve e localiza sons para o lado e para baixo de forma indireta.
9 aos 13 meses: localiza os sons para o lado e para baixo rapidamente e compreende comandos verbais mais simples, como “manda beijo” e “dá tchau”.
13 aos 16 meses: localiza sons para o lado, para baixo e para cima, além de começar a compreender e responder a comandos verbais mais complexos, como “cadê a mamãe?” e “cadê o papai?”.
Acima de 16 meses: localiza diretamente os sons para os lados, para cima e para baixo e compreende ordens relacionadas às partes do corpo, como “cadê a mão?” ou “cadê o pé?”.
Diagnosticar precocemente a deficiência auditiva e intervir rapidamente são ações determinantes para o desenvolvimento saudável da comunicação, minimizando possíveis impactos escolares, sociais, linguísticos e emocionais.
A avaliação audiológica infantil engloba um conjunto de exames fonoaudiológicos que utilizam métodos comportamentais e objetivos, a depender da idade e da maturação neurológica da criança. Se algo parece estranho, não espere: investigue.

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