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Redação Pais&Filhos
06/04/26


Quase duas décadas após um dos crimes mais marcantes do país, Suzane von Richthofen decidiu compartilhar sua versão da história em um documentário inédito da Netflix. A produção tem cerca de duas horas de duração e apresenta o relato da condenada sobre o assassinato dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen.

Segundo informações da coluna True Crime, do jornalista Ullisses Campbell, do jornal O Globo, o longa foi exibido em uma pré-estreia restrita. Com o título provisório “Suzane vai falar”, o documentário ainda não tem data oficial de lançamento.

Na produção, Suzane revisita sua história desde a infância até os desdobramentos do crime, oferecendo detalhes sobre a dinâmica familiar e os acontecimentos que antecederam o caso.

A infância e a relação familiar

Ao longo do documentário, Suzane descreve a casa onde cresceu como um ambiente marcado por cobranças e pouca demonstração de afeto. Em seu relato, ela afirma:

“Eu vivia estudando. Era só nota alta. Tirava 9 e 10 em todas as matérias. Não tinha demonstração de amor, nem deles pra gente, nem da gente pra eles. Minha vida era brincar com o meu irmão”.

Ela também relembra episódios de conflito entre os pais e afirma ter presenciado situações de violência dentro de casa. “Eu vi meu pai enforcando a minha mãe contra a parede. Foi horrível”, disse.

A falta de diálogo é outro ponto destacado por Suzane, que afirma que assuntos importantes nunca eram discutidos em família. “Eu nunca conversei sobre sexo com a minha mãe. Nenhuma vez. Zero”, contou.

O relacionamento e o aumento dos conflitos

Suzane também fala sobre o início do relacionamento com Daniel Cravinhos e como isso impactou a convivência familiar. Segundo ela, a relação contribuiu para intensificar os conflitos dentro de casa.

“O Daniel passou a ocupar todos os espaços da minha vida”, afirmou.

Ela relata que passou a viver uma rotina dupla, escondendo dos pais seus encontros e viagens. “Eu saía de casa dizendo que ia pro karatê, mas ia pra casa do Daniel”, disse.

Quando as mentiras vieram à tona, os conflitos aumentaram. “Virou uma guerra dentro de casa. Qualquer coisa era briga”, afirmou, acrescentando que a relação com o pai chegou a episódios de agressão física.

(Foto: Divulgação)

Quando e por que o crime foi planejado

De acordo com o relato apresentado no documentário, a ideia do crime não surgiu de forma repentina, mas foi construída ao longo do tempo.

“Nós não falávamos em matar meus pais. A gente dizia que seria muito bom se eles não existissem”, declarou.

Ela reconhece sua responsabilidade no que aconteceu: “Eu aceitei. Eu os levei pra dentro da minha casa. A culpa é minha. Claro que é minha”.

Sobre a noite do crime, Suzane afirma que não participou diretamente da execução. “Eu fiquei no sofá, com a mão no ouvido para não escutar nada”, disse, acrescentando que tinha consciência do que estava acontecendo: “Eu sabia”.

Versões divergentes e momentos após o crime

O documentário também aborda momentos posteriores ao crime, incluindo relatos de autoridades. Um dos pontos de destaque envolve a versão da delegada Cíntia Tucunduva, que afirma ter encontrado Suzane em uma situação considerada incompatível com o momento.

Suzane, no entanto, contesta essa versão. “Não tinha a menor condição de fazer uma festa naquela casa. A casa estava com cheiro de sangue”, afirmou.

A vida atual e a tentativa de recomeço

Além do passado, a produção mostra aspectos da vida atual de Suzane. Ela aparece ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e do filho, além de cenas do cotidiano familiar.

No documentário, Suzane afirma que busca se distanciar da imagem associada ao crime. “Aquela Suzane ficou lá no passado. A sensação que eu tenho é que ela morreu junto com os meus pais”, disse.

Ela também comenta sobre o impacto de sua história até hoje: “Você entra num lugar e parece que o ar para. Todo mundo olha”.



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